''Não sabia ao certo como agir. Ficamos alguns minutos - tímidos - trocando olhares que, agora, entendo que diziam mais do que as palavras trocadas. ´M!!É você, mano?´ ele disse sorrindo largamente. Eu, acanhando, respondi 'R! Claro! Há quanto tempo, mêw!'. Não sabíamos ao certo se deveríamos nos abraçar, apertar as mãos, ou se deveríamos apenas eternizar aquele tímido reencontro.
Por via das dúvidas estiquei a mão que fora apertada fortemente e um segundo depois foi empurrada para a cintura de R. Seus braços se esticaram, e fui abraçado. É engraçado quando recebemos esses abraços tão intensos e que não esperávamos receber. R me abraçou e senti sua barba, não mais pueril, roçar meu pescoço, seu corpo ligado ao meu emitia aquele desejo-calor-tesão que ecoava pelos meus braços que apenas, mais fortemente, foram apenas capazes de empurrar aquele corpo ao meu. Por um segundo aquela intensidade me levou a tocar seu pescoço, sutilmente, e pude transmitir algo como 'saudades, também.' Timidamente nós afastamos e iniciamos aquele eterno papo de nossa-como-você-cresceu; nossa-há-quanto-tempo-não-nos-viamos?... Não fazia tanto tempo que não o via. Talvez um ano, um pouco menos. R foi daqueles amigos que marcaram a infância. Sempre alegre, carismático, engraçado, popular, era o típico menino que todos adoravam. Tinha um gênio difícil. Por alguns anos íamos-e-voltávamos na mesma condução escolar. Foram inúmeras risadas, aventuras, segredos, broncas. Por algum tempo eu o invejava. Não era tão 'em forma' como ele, não era tão aberto, muito menos sociável. Entretanto ele tinha em mim um parceiro para compartilhar suas presepadas, para dar-lhe bronca quando necessário. Dividíamos segredos em um caderno que acreditávamos ter poderes. Desde novo tentei expressar por meio das palavras aquilo que ecoava em meu coração. R era muito inteligente e estudava em um colégio muito rígido. Ele deveria estudar o dobro para passar em no exame admissional do colégio militar. Era como uma tradição na família. O primeiro irmão mais velho passou, assim como o segundo, o terceiro...E R não poderia ficar para trás. Eram incontáveis horas de estudo, cursinhos e aulas após o horário normal do colégio. Por isso R teve que sair da condução escolar. Lembro-me vagamente da tristeza que foi perder um parceiro de aventuras diárias. Aquele que, de certa forma, era um ombro dentro da minha jovem insegurança. Pouco tempo passou, resolvi iniciar novos desafios, jogar vôlei era um sonho e decidi começar. No primeiro dia de treino deveria retornar sozinho de ônibus para casa. Era uma grande vitória para um pré-adolescente. Sentia-me maior do que eu realmente era. E nessa noite que datava a vitória da minha independência adolescente, reencontrei R. Depois dos acanhados diálogos entramos no ônibus, ele me ensinou sobre as linhas, onde deveria descer, o que deveria fazer...R marcara mais uma vez minha vida: quando pensei que estaria sozinho desbravando o primeiro passo para minha independência, ele esteve presente.
Não recordo sobre o que dialogamos dentro do ônibus, mas lembro-me muito bem dele enfatizando o quanto eu havia crescido, como estava magro e bonito. Tímido, disse que não era para tanto mas que estaria perto do que ele era - ou do que ele se tornara: aquele típico adolescente com sorriso estampado, com curvas e peitoral forte. Rimos e nos despedimos rapidamente. Quase perdi o ponto que deveria descer. Lembro-me de impulsivamente ter dado uma espécie de abraço-beijo-no-rosto. E sem olhar para trás desci do ônibus e pela janela ele sorria - aquele sorriso largo-levemente-danado-safado que dizia tanto.
Eu e R nunca mais nos (re)encontramos. Os anos se passaram, não sei se cheguei a me tornar aquele adolescente ideal que costumávamos idealizar. Mas adquiri nesse período as melhores vivências, tive os melhores amigos que me acompanham até hoje. Sobre R, gostaria de saber dele. Gostaria de vê-lo. Gostaria de mais uma vez abraça-lo. Só que desta vez sem medo. Gostaria de saber em que tipo de adulto ele se tornou. Eu? Ah...devo ter me tornado aquele tipo de adulto que (re)vive as lembranças com uma nostalgia que aperta o coração. Devo ter me tornado aquele tipo de adulto que escreve não só para transmitir o que se passa, mas para eternizar, em palavras, o sentimento que pulsa, pulsa, pulsa e ressoa pelo âmago da vida.
Talvez hoje se reencontrasse R, iria, rapidamente, dizer 'diga algo!diga que também teve saudades...'. Não quero desistir dessa fantasia, R. Quero poder olhar em seus olhos mais uma vez e dizer que gostaria de ter te acompanhado. Fantasio em inúmeros episódios que poderiam ter construído sua vida. Um dia espero abraçar-te mais uma vez e pedirei - delicadamente - ao pé de seus ouvidos que você me conte tudo. Contarei tudo. Seremos o tudo."
Ao som de Say something - Boyce Avenue and Carly Rose cover
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segunda-feira, 5 de maio de 2014
domingo, 20 de junho de 2010
~ um segundo.
'' por um segundo quis manifestar algo. talvez um simples oi seguido de agradáveis carinhos. talvez perguntar como as coisas estavam e querer saber mais dele. talvez até falar que sentia falta de conversar com ele todos os dias. parei. fechei a tal janela que havia aberto. liguei uma música daqueles tempos que me fez lembrar de tantas coisas. abri de novo a janela e digitei uma mensagem feliz. apaguei. saí de lá. e tentei entender porque a gente cria caminhos para tentar libertar algo que está guardado lá no fundo, que está dormindo bem gostoso. porque talvez ainda hajam coisas para serem ditas? sentimentos querendo se manifestar? por um segundo eu pensei que precisava disso, sabe?falar o restinho que ainda existe. e terminar com aquele sentimento nostálgico bem gostoso. eu preciso disso- eu pensei. mas na realidade eu não preciso. não preciso. ''
Marquinhos Bueno
20/6/2010
minhas historinhas 4.
- mais uma historinha procês comentarem.
mais uma foto da linda Aoi Miyazaki.
ao som de damien rice, the animals were gone
domingo, 11 de abril de 2010
~ super-herói

''Não quero imitar Deus ou coisa assim,
só quero encontrar o que é melhor em mim,
ser mais do que alguém que sai num jornal
mais do que um rosto num comercial.
E não é fácil viver assim,
se eu quiser chorar não ter que fingir,
sei que posso errar,
que é humano se ferir.
Parece absurdo mais tente aceitar,
que os heróis também podem sangrar,
posso estar confuso mais vou me lembrar que os
heróis também podem sonhar.
E não é fácil viver assim.
Seja como for agora eu sei que o meu papel,
não é ser herói no céu, é na terra, que eu vou viver.
Eu não sei voar,
isso é ilusão,
ninguém pode andar, com os pés fora do chão.
Sou só mais alguém querendo encontrar
a minha própria estrada pra trilhar,
apenas alguém querendo encontrar
a minha própria forma de amar, de amar, amar, aaaaaa,yeah
Sou só mais alguém querendo encontrar
a minha própria estrada pra trilhar,
apenas alguém querendo encontrar,
não é fácil,
e não é fácil viver
viver,
assim.''
Sandy e Jr- Super-herói
- Nostalgia total ouvir essa música nesta madrugada fria, cheia de xícaras de chá, lembranças e muita esperança.
- Foto editada pelo Mikael Galati!!! Não sei pq na pág principal do blog não está aparecendo os posts antigos...vou tentar resolver isso, ok!
- Foto editada pelo Mikael Galati!!! Não sei pq na pág principal do blog não está aparecendo os posts antigos...vou tentar resolver isso, ok!
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